A Porta do Banco

Assisti a uma palestra onde o
expositor comparou os reveses da vida com uma porta blindada de uma entidade
bancária. Para adentrar no recinto, precisamos deixar todos os objetos de peso,
de metal. Muitas vezes reviramos a bolsa e os bolsos, depositamos todas as
quinquilharias consideradas empecilhos para o nosso acesso, e mesmo assim, a
porta continua travada. Ficamos irritados, apreensivos ou revoltados, até acalmarmos
e descobrir a razão do impasse. Desvendamos, após inúmeras tentativas e muitas
vezes através do auxílio dos seguranças, que o item impeditivo era uma moeda
escondida, uma caneta, ou até um metal da constituição da pasta, do cinto,
entre outros possíveis obstáculos.
Na jornada humana acontece como na
entrada dos bancos: sem saber ou entender, paramos num determinado ponto e
ficamos girando, contudo retornando local inicial, sem avanço, sem mudança de
rumo. É como se tivéssemos algum peso, expresso na forma de sentimentos, segurando nossa evolução, o qual pode ser
constituído por mágoas, raiva, ódio, inveja, egoísmo, orgulho, egocentrismo,
mesquinharia, e tanto outros males que nos afligem e dos quais sequer temos
consciência. Somente no momento em que decidimos que precisamos prosseguir no
caminho, encontrar um rumo, uma mudança, um novo objetivo, é então que
percebemos a força da trava que nos impede de andar, e nos deixa rodopiando,
retornando à posição de largada. Será preciso abrir a alma e dela retirar toda
a negatividade de forma a nos possibilitar o movimento de andar e então
aportar numa nova etapa da existência e atingir as metas aneladas.
Entretanto, será constrangedor
escancarar nossos sentimentos ocultos, mostrá-los a nós próprios, deixá-los
desnudos, e o passo mais difícil, desfazer-nos deles. Afinal, estamos
acostumados a carregar esses trambolhos. Contudo senão adotarmos essa atitude de
desapego, continuaremos paralisados, trancados num espaço onde somos por todos
observados, porém, sem que fixemos o olhar em nosso mundo interior. E assim, a
porta permanecerá paralisada, cujo único movimento efetuado será o de retorno à
entrada, onde para avançar teremos primeiramente que nos desfazer dos objetos
inadequados que carregamos.
Um segurança, um amigo, um parente,
um estranho poderá apertar o controle para que retornemos até a posição inicial,
mas, nós é que deveremos abrir os compartimentos e retirar os objetos
inadequados que guardamos depositando-os no lugar apropriado. Posteriormente, desvestidos
dos excessos é que o portal movimentará, possibilitando a passagem rumo às
realizações.
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Muito interessante a colocação do texto de Lourdes Thomé sobre 'fracasso/sucesso'... As portas se fecham porque não nos desapegamos daquilo que as emperra. E o que trava as portas é justamente o que carregamos sem 'nos dar conta' (inconscientemente). Nossas atitudes mentais que nos prendem com laços negativos ao passado pode ser a causa de não nos deliciarmos ao viver o momento presente. Uma vez livres daquelas amarras , projetaremos um futuro de benesses.
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